Aula
5 (30.4)
Fim
do século XIX-século XX: o cosmopolitismo expande-se com o acréscimo da
velocidade dos meios de transporte (barco a vapor, comboio). Portugal ocupa o
seu lugar no mapa das viagens modernas.
Outro
marcos histórico do século XX nas relações luso-franceses: a Primeira Guerra
mundial, ou Grande Guerra, com a participação do exército da jovem República na
frente do norte da França, recentemente comemorada com a presença dos dois
chefes de Estado.
Mas
quando se trata de evocar figuras de proa (a metáfora vale mesmo aqui!),
encontramos os viajantes dos séculos XV e XVI.
1--Glórias
do passado
(cf.
Augustin Fournier, En Atlantique. Gloires du Portugal, 1902)
1.1-
As homenagens e celebrações poéticas:
Victor
Hugo, Camões
Stéphane
Mallarmé, Vasco de Gama
(o texto de Mallarmé lê-se nas pág. 420-421 deste artigo em espanhol).
(o texto de Mallarmé lê-se nas pág. 420-421 deste artigo em espanhol).
1.2-
Sons e imagens
1.2.1-Música
das glórias, glória da música
A
ópera l'Africaine (Scribe e Meyerbeer, 1865) era no início intitulada Vasco de
Gama. Os atos I e II passam-se em Lisboa (numa sala do conselho; no tribunal da
Inquisição), os outros, longe da Europa (o livrete).
Ouvimos
um extrato do ato III, Adamastor "roi des vagues profondes" numa representação de 2013 na Fenice (Veneza).
Representar
Portugal é referir a um canto, periférico, do nosso continente e ao vasto
mundo, através da aventura impérial. A tendência para o uso metonímico está na
dinâmica da inspiração mallarmeana.
article Como se, numa perspetiva
cultural, "Portugal" fosse um motor de "rêverie" entre o
realismo da referência geográfica e o exotismo das evocaçãos ultramarinas.
1.2.2-
Fernand de Magellan (tradução de Ferdinando de Magalhães) num livro ilustrado publicado em 1947,
entre a biografia contada aos jovens e a
banda desenhada.
2--
Viajantes do presente
No
"Entre-deux-guerres" o cosmopolitismo observa-se de forma
particularmente intensa, com a multiplicação da escrita de viagem (relatos,
diários, reportagens, guias, etc.).
Nas representações,
cada vez mais e melhor ilustradas graças à arte fotográfica e o cinema, todos
querem transmitir impressões variadas sobre as cidades, as populações urbanas e
rurais, as paisagens, a vegetação... e/ou providenciar informação: representar
Portugal pode significar antes de tudo aliciar. As estratégias de sedução foram
aproveitadas pelo regime salazarista e o Secretariado da Propaganda nacional.
Vários autores franceses transmitiram um discurso de charme com contornos
turísticos que participaram na elaboração e difusão de uma imagem politicamente
positiva. Os anos da Ocupação alemã em França (1940-1944) serão os da apertadas relações
luso-franceses entre o governo de Vichy e Portugal (o livro de Helena Pinto Janeiro, 1998).
2.1
Um local apreciado e inspirador: Sintra
Sintra
vista pelos guias de viagem:
Sintra
evocada por viajantes como Gabrielle Réval (1934) ou Paul Morand (1958) (extratos da novela le Prisonnier de Cintra (sic).
Num texto curto publicado em 1957 (Le voyagenr en divers pays. Une suite à la Lettre de Lisbonne de Valéry Larbaud) Morand homenageiou o seu mestre ès-voyages Valéry Larbaud, grande nome do cosmopolitismo literário do Entre-deux-guerres (autor duma linda Lettre de Lisbonne, 1926, e outros textos inspirados por Lisboa e Portugal). Mas o empenhamento de Morand durante a Ocupação e o seu antisemitismo (o seu Journal inutile: uma análise aqui; outra) situam-no longe do cosmopolitismo aberto de Larbaud.
Num texto curto publicado em 1957 (Le voyagenr en divers pays. Une suite à la Lettre de Lisbonne de Valéry Larbaud) Morand homenageiou o seu mestre ès-voyages Valéry Larbaud, grande nome do cosmopolitismo literário do Entre-deux-guerres (autor duma linda Lettre de Lisbonne, 1926, e outros textos inspirados por Lisboa e Portugal). Mas o empenhamento de Morand durante a Ocupação e o seu antisemitismo (o seu Journal inutile: uma análise aqui; outra) situam-no longe do cosmopolitismo aberto de Larbaud.

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