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Aula 3 (24.4)

1--O "século de Voltaire": entre Luzes e escuridão


Um marco historico: o(s) terramoto(s) de 1755 (veja
uma reconstituição em inglês; leia sobre a hipótese do duplo sismo).
Como o fez o Poggio, humanista italiano do século XV, sobre as ruínas de Roma, alguns representaram Lisboa destruída pela beleza das suas: veja algumas gravuras do Recueil des plus belles ruines de Lisbonne causées par le tremblement et par le feu du premier novembre 1755, por Le Bas, Jacques-Philippe Le Bas e Miguel Tibério Pedegache.


Limitar a história dum período, breve ou não, a uma personalidade e a sua obra é altamente criticável e isto fica válido na nossa abordagem. No entanto, da mesma maneira que a progressão dos nossos trabalhos segue alguns marcos históricos, teremos em conta o fato de que Voltaire é uma marco intelectual de grande relevo não só pela força das suas ideias  como pela variedade das passagens na sua obra diretamente contemplados aqui.
São três os géneros literários praticados com brilho pelo filósofo em que se encontram representações de Portugal: o ensaio histórico (
Essai sur les mœurs et l'esprit des nations, 1748) e filosófico (Dictionnaire philosophique, 1764*), a poesia (ler o Poème sur le désastre de Lisbonne, 1756; ouvi-lo) e a ficção narrativa (Candide, 1759; para sair do quadro, a opera de Leonard Bernstein e uma opinião boa de (re)ler nesse dia da Liberdade - como o devem ser todos, dias e noites, os outros do ano, com ou sem maiuscula).

2--No limiar do século XIX: os Franceses invadem Portugal (1807-1811)
O imperialismo napoleónico terá consequências sobre a Europa inteira. Portugal foi um dos palcos em que essa história se decidiu. Além das representações militares, como a batalha do Porto em 29 de março de 1809, ilustrada por Théodore Jung, temos dois textos de teor completamente diferente: o Essai statistique sur le Portugal (1810) escrito por um comissário do exército e que reflete o imperialismo francês; o texto livre, le Sterne du Mondego, por Caroline Wuiet, uma mulher que se viu obrigada a deixar Paris para se juntar ao seu marido em Portugal. Neste último leu-se um trecho sobre o verbo "passar", comummente utilizado em português nos encontros do dia-a-dia, que desperta nela uma meditação moral na escritora dado que, na tradição clássica francesa, este verbo significa morrer: um falso amigo que se torna fonte de inspiração...
* "une des œuvres majeures du dix-huitième siècle" (François Jacob, Voltaire, Folio, 2015, p. 220).

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Aula 4 (26.4) 1--Dois acréscimos à aula anterior. 1-1 A propósito da etimologia "imperialista" do Essai statistique de 1810: em 1796, Jean Baptiste Carrère publicou em Paris o Tableau de Lisbonne en 1796. Explica que o nome Portugal deriva de Portus Cale (dérive, à ce qu'on croit, de Portus Cale , ou du port de Cale, ancienne ville située près de l'embouchure du Douro" (p. 341). Os historiadores contemporâneos confirmaram essa explicação "pré-napoleónica"... Poderíamos definir a história como um modo de representação que, proclamando o ideal da verdade, cai facilmente em ficções oportunas. 1.2- A propósito do livro de Caroline Wuiet , le Sterne du Mondego (1809). Sabemos que há pouco realismo, ou exotismo nesse texto. O objetivo da autora não é contar a sua vida em Portugal, nem do seu marido, oficial francês emigrado e servindo  o exército (o seu nome consta da lista dada por Castelo Branco Chaves em A emigração francesa em Portugal durante ...

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